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Eu, adulto, crescido. Tento escrever. Sou novo, leve. Tenho a cabeça avoada, quando não estou tenso, meus escritos fluem. Gosto de uma polêmica. Às vezes a preguiça me deixa de fora, as vezes o marasmo. Mas não fujo. Encaro de frente o bem, o mal. Na vida, confrontei-me inúmeras vezes. O que aprendi? Aquilo que sou. Sou o que vocês inúmeras vezes leram. O que aprendi? Sou o que vocês vêem ...
Vinte e dois anos vividos. Alguns perdidos, outros nem tanto. Fui com sede ao pote. Caí no chão. Levantei. Levantaste-me. Mostrou-me a diferença entre amor e dor, entre dar e doar.
Vamos em frente...
17.7.05
'Dias assim... dias assado.'
Foi uma manhã atípica. Acordou atrasado, tomou banho frio por conta de um chuveiro queimado, deixou o leite esparramar, perdeu o ônibus, foi chamado a atenção no trabalho, esqueceu de mandar 'aquele' e-mail para a diretoria. Na hora do almoço, o prato que pediu veio errado; comeu o que não queria. Mesmo assim, fez força e tentou não se estressar. Voltou do almoço acreditando que a 'nuvem negra' passara. Ledo engano. Até o computador conspirava contra. No meio daquela minuta, inesperadamente apagou-se. Foi a revolta da máquina contra o operador. Mas ele era persistente, (respirou fundo) foi ao banheiro refrescar a cuca. Viu no espelho o reflexo de um alguém que a muito não se lembrava. A barba por fazer, olheiras escândalosas, um cabelo desgrenhado. Um rosto amarelo. Pensamentos vão, pensamentos vêm e o medo de desfalecer veio a tona.
" - Será que minha hora esta chegando, e isso tudo é um sinal?"
" - Porquê eu?"
" - Porquê comigo?"
Ouviu o barulho da descarga no reservado ao lado, ao sair, o gordo careca do financeiro fitava-o com certa desconfiança. Devia estar pensando:
"- Que raios esse cara tá fazendo aqui??"
Pouco se importou com o careca, ele já não tinha mais importância. Pra ele, não passava de um fracassado. Trabalhava há mais de 5 anos na empresa, e nunca havia subido de cargo. Era um coitado...
Como a máquina havia se revoltado, foi trabalhar no arquivo. Papéis, traças, caixas, etiquetas. A sinusite apertou, uma dor insuportável na têmpora. Espirros, coriza.
Já não queria mais trabalhar naquele dia, fugiu.
Foi fazer algo inusitado. Imaginou que aquele era o último dia de seus míseros 35 anos. Foi ao parque, comprou algodão doce, maçã do amor, rolou na grama. Sentiu o corpo todo pinicando em virtude das gramíneas, as mesmas que deixavam-no irritado quando o pai jogava-o no chão e rolavam abraçado. Chorou. Bateu uma saudade enorme do pai, aquele que o ensinara preceitos básicos de moral, educação. Um mentor. Seu mentor. O pai morrera anos atrás, e ele nem ao menos chorara durante o enterro. Seus olhos secaram inusitadamente. Foi algo surreal. Queria chorar. Agora, coçando-se, chorava. Copiosamente.
Olhou para o relógio, e lembrou da namorada que devia estar preocupada em casa. Tinha o nobre hábito de ligar para ela, sempre que retornava do trabalho. Ficavam a falar amenidades, pequenos casos do dia a dia... Mas hoje, curiosamente, perdera a vontade de falar com ela. Queria rezar, afinal, imaginava que em poucas horas estivesse em contato com o 'Barbudo'. Entrou na primeira capela que encontrou. Caiu de joelhos. Uma sensação indescritível. Pediu a remissão de todos seus pecados, rogou aos santos uma solução.
Talvez tenha pedido com tanto afinco que acolheram-no. Foi o último dia de trabalho, último dia no parque, último choro verdadeiro.
Primeiro dia do resto de sua vida.
Fique em paz...
Poetizado por Mim
Me diga!
3.7.05
'Literatura, personagens, ficção...'
Hoje, depois de pensar exaustivamente, decidi escrever um pouco sobre a influência dos livros em minha vida.
Desde muito cedo comecei a ler, lia livretos infantis, gibis, e todos os tipos de ficção. Mas foi ao ingressar no colégio, que fui guiado para a literatura edificante.
Fui 'obrigado' a ler todos os clássicos; Machado de Assis, Alvarez de Azevedo, Manuel Bandeira, Mario Quintana...
Ah, e o meu preferido: Saramago.
Sou fã incondicional deste português, posso não gostar muito de suas opiniões politicas, nem de suas atitudes em relação a este assunto, mas me curvo diante e qualquer escrito que venha dele. Comecei lendo Ensaio Sobre a Cegueira e apartir de então, vieram: O Homem Duplicado, A Caverna, Todos os Nomes, In Nomine Dei, Ensaio Sobre a Lucidez, O Evangelho Segundo Jesus Cristo...
Um atrás do outro, cada qual com sua lição. Venero este homem.
Voltando pra este lado do oceano, assim que parei ter obrigação de ler os mestres brasileiros, comecei a pegar gosto pela coisa.
Procurei por alguns que ainda não tinha lido.
Foi aí que conheci: Rubem Braga, Rubem Alves, Fernando Sabino, Cony, Drummond... Ansiava em conhecer coisas novas. Lia mais do que o tempo me permitia. Tentei até os estrangeiros: Salinger, Morris West, Hemingway, Eça ...
Mas nada se comparava aos da terra. Nunca se comparou.
Neste mês, conheci mais um escritor desta nossa terra: Francisco Sobreira.
Ele, hoje em Natal, escreve de forma transparente.
Recebemos um livro deste escritor contemporâneo e devoramos. Uma escrita leve, correta, estilosa. Infelizmente, a globalização ainda não chegou a tanto, seus livros não vem para o Sudeste. Permanecem para os nordestinos. Ah, que sorte deles.
Refletindo sobre isso, me veio uma indignação na mente. Tantos talentos, tanta coisa boa proveniente deste nordeste e na maioria das vezes, nunca chega a nós.
Então, agradeço por ter a oportunidade de acessar a rede mundial e conhecer coisas boas como Sobreira.
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Continuando os Poemas Declamados, esta semana colocarei um dos meus favoritos: ' A Mesa - Drummond' com Paulo César Pereio
Poetizado por Mim
Me diga!
24.6.05
'Quando eu crescer, eu quero ser....'
Desde pequenino, sonhava com meu futuro. Viajava com minhas coisas, meus brinquedos, meus instrumentos.
Uma vó dizia: "Hum... acho que vai ser músico, toca tããão bem.... Que fofinho!"; a outra ja pensava consigo: " Ai, que lindo, gosta tanto de rezar pro menino Jesus, talvez vá pro seminário".
Eu, filho de engenheiros, (acho que por este motivo) nunca me vi nas Exatas. Gostava de ler, de tocar, muito pouco de estudar, amava a música.
Cheguei a pensar em ser político, quando ainda era inocente, e achava que bastava capacidade intelectual. Hoje, vejo que isso é o de menos.
Já fui padre também! Sim, sim, quase realizei o sonho da vovó beata! Mas ainda não era isso, fui cientista, músico, cartola, ganhador da Mega-Sena...
Era bom sonhar. E eu sonhava mesmo. Me via em família, bem sucedido. Jamais fracassei.
Hoje, lembrei desses meus sonhos e olhei pra mim. O que sou? O que fiz? O que vou fazer...?
Sou homem. Com um destino pré traçado, com uma vida engatilhada. Fiz o que? Profissionalmente, um pouco de cada área, ja trabalhei com música, com números, com pessoas, com palavras...
Mas, o que quero? Ainda não sei, estou dividido entre algumas capacidades que tenho e não haviam até hoje aparecido.
Acho que quero abraçar o mundo com minhas largas falanges. Quero que meu dia tenha 48 horas, minha vida seja uma eternidade. Quero viver. Junto com minha amada, realizar todos os sonhos.
Juro que se pudesse, seria o padre, o cientista, o músico...
Ah, seria sim!
E, por que não?
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Agradeço a todos, pelo incentivo neste novo espaço e gostaria de dizer que no menu superior, na área Downloads, colocarei toda semana uma poesia declamada por um artista brasileiro. Esta semana está disponível 'Castidade - Drummond' com interpretação de Ary de Andrade.
Fiquem em paz.
Poetizado por Mim
Me diga!
18.6.05
..... Tudo começou a um ano atrás, mais ou menos assim...
Eu, perdido, tristinho... trabalhando numa repartição pública, infeliz. Procurando um alguém para preencher meu tempo, me preencher! Enquanto isso não acontecia, batia a cabeça, me auto-flagelava. Em contra partida, fazia algo que me dava muito prazer (ainda dá!), lia. Lia muito, escrevia, divagava, ás vezes viajava eu sei.... Mas...
Colocava em meu blog, minhas idéias, minhas leituras, minhas preferências. E foi assim. Um dia, sem mais nem menos, cruzamos nossos caminhos. Encontrei-a, mas ainda não sabia que com ela eu passaria minha vida...
Eu de cá, nesta cidade cinza e ela de lá, na Cidade Maravilhosa. Escrevendo do cotidiano, das desilusões, das eternas buscas. Fiquei bobo. Alguém que procurava o mesmo que eu, tinha dúvidas, tinha carencias. Era especial.
De palavra em palavra, posts em posts, comentários de lá e de cá, fomos nos conhecendo. Sentindo falta quando o outro não escrevia, não aparecia. Era hora de mudar de estágio. Evoluir. Partimos do mundo virtual para o real. Falamo-nos.
Ah... indescritível, só quem já ouviu a voz ternurada dela sabe do que estou falando. Um misto de doçura, encantamento, com um toque de malícia e um sotaque carioca.
Eu, com minha voz, creio que assustei-a. Quem me conhece sabe do que estou falando. Cara de menino com um timbre de... velho!!!
Mas foi assim, conversas, trocas. Contei um pouco de mim, falamos de nossos planos, nossos desejos. Rimos juntos. Esquecemos dos problema por alguns segundos.
Queria mais. Queria aquela sensação constantemente comigo. E fui atrás. Fui ao Rio.
Bastou. Apenas um olhar. Sabíamos o que queriamos. Começou uma luta contra a distância. Vencemos essa luta. Ficamos morando na Cidade Maravilhosa durante aproximadamente um mês, estávamos em "lua-de-mel". Decidimos vir para Sampa.
Ralamos, sofremos, brigamos. Mas acima de tudo, nunca nos separamos. Hoje, temos um ano juntos.
Apesar de todas nossas diferenças, idades, gostos musicais, leituras, pensamentos. Só crescemos um com o outro. Eu te ensino, você me corrige, você me mostra, eu aprendo.
Amo-te demais minha cabrocha...
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Vida, continuemos nossa caminhada, vamos atrás de nossos projetos, tu ensinaste-me muito do que me tornei. Mudaste em mim pontos cruciais. Resgataste meu amor-próprio. Mostrou-me que posso ser uma pessoa boa, sem ser bobo. Colocou-me no prumo. Falou com a razão. Escutei. A princípio relutei. Teimei contigo. Fui tolo. Hoje, tenho a esperança de comemorar contigo os próximos aniversários. Nossos, de nossas crianças aladas, frutos de vosso ventre. Pedaço de mim, de ti. Quero contigo continuar essa jornada que iniciamos ano passado. Vamos?
Amo você sem reservas, sem medo.
Amo.te
Fiquemos em paz...
Poetizado por Mim
Me diga!
31.5.05
Escrevendo, tentando... Criando formas, e vezes, coisas que nunca saem da cabeça. Transformações
Poetizado por Mim
Me diga!